Aproveitando o tema ‘Futebol nos EUA’ que é explorado na edição do mês de janeiro da FUT!, separamos o jogo de despedida de Pelé, entre Santos e New York Cosmos. Confira:
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Na integra o jogo de despedida de Pelé
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011Isso que é academia
quarta-feira, 4 de maio de 2011Por Joana Bueno
O sonho dos jovens de se tornarem atletas profissionais e cursarem uma universidade de prestígio por meio de bolsa esportiva agora não se restringe mais aos filmes de Hollywood. Pioneiro no Brasil, o programa de bolsas esportivas da Escola Americana de Belo Horizonte está formando atletas para estudarem nos Estados Unidos, onde participam da liga universitária e podem seguir carreira profissional no esporte.
Iniciado em 2003, o programa da EABH já enviou 12 jovens para universidades norte-americanas. Até agora, nenhum seguiu carreira profissional no esporte após se graduar, mas todos conseguiram estudar nos Estados Unidos com a ajuda de uma bolsa esportiva.
Atualmente, 15 jovens, entre meninos e meninas, participam do programa, que oferece bolsa de estudos na escola, treinamento específico na modalidade – basquete, vôlei ou futebol – e acompanhamento acadêmico, além de encaminhar os jovens para universidades norte-americanas, onde eles conseguem uma formação superior também sem custo.
- O programa oferece uma bolsa parcial na escola, onde o aluno recebe uma formação acadêmica e o treinamento esportivo, e, além disso, facilitamos a entrada deles nas universidades nos EUA, com bolsa atlética, pois temos um contato muito próximo com as instituições lá – diz o professor Eduardo Serafim, coordenador e idealizador do programa.
Diferentemente do que acontece com algumas agências de intercâmbio esportivo que selecionam atletas no Brasil para enviar para escolas e universidades fora do país, o programa da EABH segue um rígido cronograma de treinamento, já que os alunos competem pela escola enquanto ainda estudam aqui e têm de estar aptos a participarem da competitiva liga universitária americana.
“Temos um programa de treinamento bem intenso. Depois das aulas, eles treinam entre uma hora e meia e duas horas todos os dias da semana”, explica Eduardo. Segundo ele, os alunos são preparados não só para representar a escola, em competições locais e internacionais, como também para enfrentar todas as demandas do futebol universitário nos EUA, que exige uma preparação física diferenciada. Isso tudo sem esquecer, é claro, a questão acadêmica, pois o esporte tem que ser feito juntamente com a educação.
Inicialmente, o programa era voltado principalmente para atletas de voleibol, mas a demanda norte-americana pelo talento brasileiro no futebol acabou fazendo com que a modalidade fosse mais valorizada. Atualmente, dos 15 alunos que fazem parte do programa, 13 são de futebol, um de vôlei e um de basquete, esporte em que o americano é bastante competitivo, o que torna mais difícil a inserção de um atleta brasileiro em uma universidade dos EUA por meio de bolsa atlética.
O que também mudou de 2003 para cá foi o objetivo dos alunos participantes. Se antes a maioria dos jovens que estudavam e treinavam na EABH faziam uso da bolsa atlética para conseguir uma formação superior por meio do esporte e seguir carreira profissional em outras áreas, agora quase todos os alunos que passam pelo processo seletivo do programa sonham em ir para os Estados Unidos para se destacarem na liga universitária e se tornarem atletas profissionais.
Esse é o caso de Ivi Casagrande e Camilla Braga. Enquanto a primeira se formou na EABH e agora freqüenta o cruso de pré-medicina na Bowling Green State University, em Ohio, pela qual compete na liga universitária americana de futebol, a segunda está prestes a se formar e já escolheu a instituição em que estudará nos EUA: Metropolitan State College of Denver, cuja equipe de futebol feminino é uma das melhores do país.
“Selecionamos para a Camilla algumas opções de universidades, e ela escolheu uma escola que lhe oferecia tanto um diploma acadêmico muito bom, quanto a possibilidade de ser campeã nacional”, conta Eduardo. “Ela queria juntar as duas coisas. Estudar e jogar por uma equipe competitiva, que lhe desse a exposição e a chance de, posteriormente, se tornar jogadora profissional.”
Assim como Ivi e Camila, outros jovens já pensam em aliar os estudos ao treinamento, seja com o objetivo de conseguirem uma formação superior de qualidade e sem custo, quanto com aspirações de um dia representarem uma equipe profissional na liga americana ou na Europa. Eduardo vibra ao explicar que não tem mais que rodar por clubes e escolas à procura de jovens que queiram participar do programa, mas que agora são os alunos que procuram a escola, que já tem até fila de espera para o preenchimento das 15 vagas.
Uma dose a mais
sexta-feira, 15 de abril de 2011Por Frederico Machado
Segundo os médicos, o tempo para o corpo humano eliminar o álcool ingerido varia de acordo com vários fatores. Peso do atleta, alimentação naquele dia, resistência à bebida e, claro, a quantidade ingerida, são os principais. Segundo o pesquisador do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, Gabriel Andreuccetti, os exageros em atletas de esportes coletivos (como futebol) são mais comuns. “Em esportes individuais, como a natação e atletismo, o esforço do atleta é maior e ele sabe que só depende dele. No futebol, por ser coletivo, os jogadores acabam consumindo quantidades maiores”, afirma.
À longo prazo, a repetição do consumo excessivo de álcool nos atletas é ainda mais perigosa. Lesões musculares, desidratação e até mesmo perda de coordenação motora no principal instrumento de trabalho- as pernas- ficam mais suscetíveis. Por conta da rotina nas atividades físicas, os problemas se agravam.
O psiquiatra Dagoberto Requião, membro da ABEAD (Associação Brasileira do Estudo do Álcool e outras drogas), abre o olho dos clubes sobre o comportamento daqueles que costumam beber. “É muita inocência acreditar que pessoas que abusam no fim de semana só bebem nas folgas. É raro encontrar esse tipo de atleta que tenha todo esse controle”, afirma Dagoberto.
O preparador físico do time júnior do Cruzeiro, de Belo Horizonte, Maurício Marques, afirma que os casos de atletas da base com problemas com álcool diminuíram nos últimos anos. Por trabalhar com jogadores ainda em formação, a preocupação é de educar. “Trabalhamos essa questão diariamente com eles. Muitos estão longe das famílias e precisam desse nosso auxílio”, destaca. O preparador físico garante que, mesmo que não fique sabendo das noitadas dos garotos, é fácil detectar aqueles que estão bebendo muito. “Dá para perceber no dia a dia. Temos controle de pesagem e outros testes. Uma das coisas que observamos é que o atleta desidrata mais do que os outros. Além disso, tem a concentração. O nível de erros técnicos aumenta muito” explica Maurício.
Ídolo contra a bebida
Ariel Ortega, o Burrito Ortega, craque do River Plate e da Seleção argentina sofreu e sofre com o vício. Ortega já foi internado diversas vezes por causa do consumo excessivo de álcool. Em outubro, após algum tempo ausente do time, ele voltou a jogar pelo River Plate. O meia atacante declarou ao jornal Clarin que, às vezes, quando está sozinho, chega a chorar diante do problema e da dificuldade em superá-lo: “Sou uma pessoa normal, que tem problemas como qualquer outra. E tento resolvê-los da melhor forma possível. Nem sempre consigo. Nem sempre sei como”, disse, emocionado.
Sob o efeito do mal
Membros inferiores: O álcool ocasiona dificuldade de absorção da vitamina B, necessária para manter os nervos do organismo funcionando bem. O atleta passa a ter dificuldade de condução nervosa, principalmente nos membros inferiores. Isso gera perda de coordenação motora nas pernas e dificuldade para caminhar
Coração: O álcool é uma droga vasodilatadora e seu uso em grandes quantidades predispõe o indivíduo a doenças cardiovasculares (como arritmias cardíacas, derrame cerebrovascular e hipertensão). O uso pesado de álcool pode levar ao comprometimento do ventrículo esquerdo do coração, o que, para esportistas que fazem atividade física intensa, pode ser bastante prejudicial.
Sistema Nervoso Central (cérebro): O álcool é uma substância depressora das atividades neuronais e, após o seu consumo, o indivíduo pode apresentar prejuízos nos reflexos, coordenação motora, concentração e memória. Também prejudica a capacidade psicomotora e pode ocasionar falhas no cálculo ótico-motor, além de diminuir a qualidade do sono, fazendo com que as pessoas se sintam mais cansadas.
Desidratação: O álcool é uma substância diurética. Para os atletas, que perdem muita água nos exercícios físicos, se torna ainda mais grave o abuso, podendo causar desidratação.
Fígado: A maior parte do álcool ingerido é metabolizado no fígado, sendo que seus produtos de metabolização podem gerar lesões hepáticas graves. O jogador pode desenvolver doenças hepáticas (como a hepatite e a cirrose alcoólica), o que pode prejudicar a carreira profissional do atleta.
Musculatura: Diminui a capacidade de ação dos músculos, facilitando a ocorrência de lesões durante a atividade física. Estiramentos e contraturas ficam cada vez mais comuns.
Falta de ar: A capacidade aeróbica fica comprometida no dia seguinte ao do consumo de álcool. Mesmo que o jogador não tenha bebido muito, o atleta sente falta de ar e cansa mais rápido.
Fonte: Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA)
*Parte da matéria da revista número 14, de Janeiro de 2009
O mundo do futebol pode ser ingrato até com quem não chega à fama
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011Por Celso Miranda
Fez um ano, em 17 de janeiro , que o ex-zagueiro Gilmar Lima, de 31 anos, morreu em um acidente trágico em sua cidade natal, Bebedouro-SP. Ele caiu de um trator e foi atropelado por um ônibus. Depois de despontar pelo Olímpia, Gilmar chegou em 1999 ao Palmeiras. Num elenco repleto de talentos, que se consagraria campeão da Libertadores , o zagueiro não teve muitas chances e passou por várias equipes antes de se aposentar precocemente, aos 24 anos. Voltou pra casa e a viver de bicos, mas mesmo depois de 5 anos parado, queria voltar.
“O sonho dele era retornar aos gramados. Ele estava treinando para isso”, diz o irmão , Joaquim de Souza Lima.
Poucos conhecem o outro lado do futebol como Clayton Divino. Grilo, como era conhecido, formava dupla de ataque com o Mônica, na Copa Mané Garrincha, que revela jovens talentos no Rio, em 1992. O “Mônica” virou Ronaldo, depois Fenômeno, enquanto Clayton, eleito o destaque da Mané Garrincha naquele ano, foi para o Grêmio, de Porto Alegre. Seus caminhos seriam bem diferentes a partir daí: se Ronaldo teve o sucesso que sabemos, Grilo rodou por várias equipes e jogou no futebol do Panamá e Chipre.
Em 2006, jogando em Rondônica teve uma lesão no joelho e encerrou a carreira.
“O futebol estava me dando muito desgosto. Jogar em time pequeno é difícil, você combina um salário e não recebe, é enganado pelos diretores. Isso vai te deixando infeliz, com vergonha até. Cheguei a esconder minha mochila para minha filha não saber que eu ia viajar para jogar”, conta.
Hoje Grilo trabalha na administração de um hospital em São Gonçalo (RJ) e criou um projeto social-esportivo chamado Centro de Oportunidade ao Talento, com o objetivo de darapoio a 190 crianças que buscam uma oportunidade no mundo da bola ou na vida.
A carreira de Marcelo Bujica no Flamengo chegou ao ápice em seu 9º jogo como profissional, quando ele marcou dois gols num clássico diante do Vasco, no Brasileirão de 1989, “Sempre digo que depois daquele jogo eu não precisava de mais nada na carreira”, afirma Bujica. E foi quase isso que aconteceu.
Depois de muitos times e pouco sucesso, o ex-jogador vive tranquilo no Acre, longe da torcida que o consagrou com apenas 20 anos.
“O mundo é uma bola, dá muita volta. Não podemos nunca esquecer de onde saímos, porque é para onde a maioria de nós acaba voltando”, filosofa.
O jogador pode ter desistido de jogar, mas não do futebol. Ele mantém a “Escolinha Bujica de Futebol”, em Rio Branco, para crianças de 6 a 14 anos, cursa Educação Física e não descartando trabalhar como treinador.
“Sempre tive vontade de trabalhar com jovens e educação e o futebol me deu isso”, diz Bujica.
Clayton concorda:
“A verdadeira inclusão social que o futebol pode proporcionar é via educação. Eu sempre faço questão de mostrar que o futebol não é essa ilusão toda. Tem que estudar também”, afirma Clayton.
Seria o doping vencedor da Copa do Mundo de 54?
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011Por Celso Miranda
A seleção de futebol da Alemanha Ocidental entrou para história, em 1954, ao vencer a partida final da Copa do Mundo, em Berna, na Suíça, o favorito time da Hungria, tido como o melhor que já se apresentara numa Copa. Com estrelas como Puskas, Kocsis e Czibor, os húngaros haviam vencido a Alemanha por 8 a 3 na fase de grupos. A conquista ganhou, ainda, ares de drama, quando foi saudada em todo o país, por recuperar, ao menos em parte, a auto-estima nacional alemã, tão abalada após a Segunda Guerra Mundial. Mais de cinco décadas depois, no entanto, um historiador de Berlim, afirma que a vitória pode ter sido impulsionada por um programa secreto e sistemático de dopagem.
“Há vários e fortes indícios que apontam que alguns jogadores da Alemanha receberam uma injeção de Pervitin [metanfetamina] antes da partida, e não a vitamina C como foi afirmado na época”, disse o historiador Erik Eggers, que conduziu o estudo da Universidade de Berlim, à agência de notícias Reuters.
A metanfetamina Pervitin era um estimulante comum na época e já havia sido distribuído aos soldados alemães durante a guerra. Membros da delegação alemã na Suíça, em 1954, disseram que os jogadores receberam apenas injeções de vitamina C. E, como naquele Mundial não houve controle de doping, nenhum teste foi realizado. Eggers vem estudando o caso há alguns anos e seu relatório sobre o futebol faz parte de um projeto mais amplo chamado “Doping na Alemanha”, cirado pelas autoridades esportivas do país para investigar o passado. “Pervitin foi usado em muitos esportes na época”, afirma Eggers.
“O que é suspeito é que essas injeções a jogadores alemães foram dadas secretamente e só tomamos conhecimento delas porque os que receberam as injeções contraíram icterícia, o que exigiu uma explicação e então surgiu a versão da vitamina-C”, acrescentou.
Porém Eggers destaca não ser usual injetar vitamina C. “Se a intenção fosse essa, poderiam ter comido uma laranja e o efeito seria o mesmo”, afirma. Em 2004, um programa da rede estatal alemã ARD já havia falado sobre o caso das injeções em jogadores alemães em 1954. Na época, Horst Eckel, integrante da equipe na Suíça, deu uma terceira versão para o conteúdo das injeções secretas:
“Recebemos uma injeção de glicose uma vez. Não recebemos nada antes da final”, afirmou.
Os dirigentes da federação alemã de futebol não se pronunciaram sobre o assunto, mas a União Alemã de Esportes Olímpicos, que co-patrocina o estudo “Doping na Alemanha”, afirmou que estava ciente do conteúdo da pesquisa de Eggers, mas considera que o que historiador levantou até agora são indícios, e não a prova.
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