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Arquivo da Categoria ‘Entrevistas’

Nos bastidores do Rockgol

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Edu Elias, Marcelo Adnet e Paulo Tiefenthaler são caras novas no programa (Foto: Alexandre Loureiro)

Por Thaís Meinicke

Na FUT deste mês de julho, você confere uma matéria com tudo sobre o Rockgol 2011, a maior competição de bandas do país, promovida pela MTV. Dá para conhecer os músicos que jogam este ano, saber quem são os craques e pernas-de-pau do campeonato, e conferir uma entrevista com o jornalista Edu Elias, o apresentador responsável por dar uma cara nova ao programa.

Aqui, no site, um bate-papo com os outros encarregados de fazer do Rockgol 2011 um sucesso: Paulo Tiefenthaler (que você já deve conhecer do programa “Larica Total”), que faz as entrevistas de campo durante os jogos, e o humorista Marcelo Adnet, que narra em seu melhor estilo as partidas do campeonato.

Bate-papo com Marcelo Adnet

Os outros apresentadores do Rockgol eram muito marcantes. Como está sendo para você assumir a narração dos jogos este ano?

Como eu sou fã do Bianchi e do Bonfá, sempre acompanhei os dois, eles são a cara do Rockgol. Eu acho que não teria nada a ver tentar fazer tudo igual a eles, ou parecido, tomar eles como referência. O que a gente fez foi se sentir à vontade. É todo mundo amigo, e a gente ficou muito à vontade para fazer isso. Eu sempre quis narrar jogos de futebol, então é uma oportunidade para realizar este desejo, além de estar sendo muito legal. Estou curtindo muito, acho que vai ficar muito bom, muito engraçado. Claro, diferente do Bonfá e do Bianchi, não dá para comparar. Mas está sendo tudo novo também, no Rio de Janeiro… é uma nova fase.

Nós sabemos que você é um amante de futebol, tem até uma coluna sobre o tema em um jornal. Está sendo muito doloroso para você ver os músicos jogando? Ou tem alguns que jogam direitinho?

Além de alguns jogarem bem de verdade, eles me ajudam muito jogando mal. Eles me ajudam falhando, caindo, isolando a bola, chutando para fora, escorregando. Isso me ajuda muito, porque se fosse todo mundo jogando muito bem, iria dificultar a missão de narrar com algum humor, então, na verdade, facilita.

Nazi x NxZero (Foto: Paulo Otero)

E os apelidos, você manteve os mesmos ou inventou novos?

Na verdade, os que eu lembrava de ver como espectador do Rockgol, alguns eu acho perfeitos e mantive, outros não. Na verdade, a maioria de novos apelidos surgiu agora. É uma maneira também de identificar os jogadores em campo… Eu vejo e penso: “pô, peraí, o Chinchila Albino é o fulano…”

Tem alguém que rende mais piadas?

Tem umas figuras, tipo o Nasi. Você olha para o Nasi e dá um ímpeto, “meu deus, que demais”. Tem umas figuras que fisicamente são muito engraçadas de se ver lá de cima, na cabine. Como, por exemplo, o Max de Castro, vou confessar, ele é muito engraçado de ver. O Jimmy, do Matanza, é muito icônico, engraçado pra caramba. Ver os meninos do Restart jogando é também muito curioso. O Pe Lanza roubando bola do Toni Garrido e o Toni reclamando de falta foi um lance incrível.

Não dá para imaginar os meninos do Restart, com aquele visual todo colorido, jogando bola. Como eles estão se saindo?

O nível geral é tão razoável, eu diria, que eles estão bem. Eles estão jogando bem, acho que o Pe Lu já jogou futebol quando era adolescente, mas o Pe Lanza não joga mal, não. Mas é engraçado ver eles jogando.

Como está a interação do Rockgol com a comunidade do Morro dos Prazeres?

Eu acho que está super saudável e natural, como a gente esperava que fosse. Porque aqui é a casa deles, e é uma coisa do brasileiro, e até principalmente do brasileiro que é mais humilde, receber muito bem as pessoas, de verdade. Sempre dividem a casa com você. Então aqui é a casa deles e eles dividiram geral, abriram a porta e a gente está em casa, se sentindo em casa, mas sabendo que a casa é deles. E eles vão se dar bem também, porque o campo vai ficar aí, então está todo mundo feliz pra caramba.

Bate-papo com Paulo Tiefenthaler

Paulo Tiefenthaler, do ˜Larica Total˜ para os gramados do Rockgol (Foto: Alexandre Loureiro)

Como você chegou ao programa?

 

 

Eu caí de pára-quedas. Fui convidado e topei, porque adoro me meter em roubada. Pensei: “vamos lá sair da zona de conforto e pegar um assunto que eu não domino pra ver como vai ser.” Agora estou me sentindo mais à vontade, eu cheguei pegando pelas beiradas. Se você for ver as primeiras participações, eu estou muito mais “normal”, vamos dizer assim. Nas últimas que eu comecei a dar uma zoada maior. Como não é um programa meu, não é um troço que eu idealizei, eu ainda estou me adaptando e abrindo um espaço ali dentro para eu entrar e ter um pouco da minha cara também.

Como está sendo a experiência? Com essa nova formação, você é o lado mais humorístico do programa, né?

O Edu tem a formação, depois de trabalhar anos na ESPN Brasil, de jornalismo esportivo onde se trabalha sério com futebol, analisando o futebol profissional. Eu acompanhava algumas coisas do Rockgol, assisti algumas vezes nesses  17 anos do programa, mas futebol nunca foi o meu forte. Então pra mim está sendo uma novidade, uma experiência.

Como está interação com o Edu durante as gravações?

O Edu é uma figura mais séria, a formação dele é nada humorística, nada zoada. E a minha já é uma formação do caos, muito eclética. Fiz várias coisas na minha vida: sou jornalista, sou ator, sou editor, sou diretor, câmera, fiz teatro, trabalhei em televisão, na Manchete, na Globo, no Big Brother como editor,  trabalhei como câmera na Globo News, como ator em novela há anos atrás em papéis pequenos, fiz muito teatro no Rio de Janeiro, produzi documentário… Então eu tenho intimidade com essas coisas, mas o Rockgol ainda está sendo uma novidade. E essa experiência ao lado do Edu está sendo bem legal.

Como foi fazer as reportagens de campo na competição?

O campeonato também é uma novidade muito grande para mim, ficar no campo… Eu nunca fiz isso de ficar no campo dando uma de repórter, analisando jogo de futebol, pra mim é muito novo. Durante as partidas, tem uma dupla que fica narrando o jogo: o Adnet, que tem uma veia humorística absurda, um cara que faz piada até quando está dormindo, e o Edu, que faz os comentários. Tem também uma série de convidados dos programas de humor da MTV. Então, ali dentro da cabine, que é a maior parte da narração, já dá um certo clima, e eu no campo tenho as minhas entradas e tento acompanhar um pouco o nível de sacanagem que está rolando entre eles. A gente fica se sacaneando o tempo todo, palavrão rolando solto. Na beira do campo, num jogo profissional, por exemplo, o repórter que está em campo tem informação o tempo todo, informação extra-campo, aqui eu não tenho informação nenhuma! Como não são jogadores profissionais, você não tem informação deles, não tem nada. Eu tenho que ficar na lateral inventando coisas, invento até coisas que não estão acontecendo.

Qual músico rende mais piada durante os jogos?

Não teve um mais zoado até agora. Talvez o D2, a gente pega no pé dele porque é metido a jogar bola  e o time dele já está quase fora do campeonato, e ele fica emburrado no final, então é bom de pegar no pé. Tem umas figuras míticas, como o Cléston, do Detonautas. Ele é uma lenda. Dos quinze campeonatos, ele participou de 14 e já foi considerado o melhor atacante, o melhor goleiro, o melhor lateral… É uma figuraça, gente boa pra caramba, então ele é uma figura que as pessoas pegam muito no pé, de forma carismática até. Quando ele aparece, a gente fala “Cléeeeeston”, como se fosse um mascote do Rockgol. É uma figura que o pessoal mexe mais, e vibra.

Equipe CPM22, que também conta com os coloridos meninos do Restart (Foto: Paulo Otero)

 

 

 

Algum time é favorito no Rockgol deste ano?

O time do Nasi eu acho que está legal. O do CPM22, que tem o artilheiro da história do Rockgol, o Japinha, também está bom. Mas acho que a defesa deles não é muito boa, o ataque é melhor. O time do Nasi tem o Tico Santa Cruz, que está indo muito bem, tem também o Leo, do Tihuana. E o do Fresno também está muito bom, tem um ataque bom, com o Cannibal, do Devotos do Ódio.

Entrevista com Philippe Coutinho

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Philippe pode atuar como atacante ou meia (Foto: Getty)

Por Lucas Cappatto

Meteórica. Assim está sendo a carreira de Philippe. Aos 5 anos, o menino vivia no Rocha, Zona Norte do Rio, onde jogava bola com a molecada numa quadra do bairro. Com 7 anos chegou ao Vasco. No clube, o meia de drible fácil ficou até os 18 anos, mas, aos 16, já tinha seu destino traçado: a Internazionale de Milão.

A Inter de Milão foi o primeiro clube europeu a tentar a sua contratação?

Na época até falaram que teve contato do Real Madrid, mas eu não soube de nada. Que eu soube, foi só a Inter.

Como os italianos descobriram você?

Eu vivia nas Seleção de base e sempre viajava. Tinha campeonatos na Europa e sempre falavam que havia olheiros nos jogos. Acho que foi em algum desses campeonatos que eles me viram.

Quando você soube da negociação?

Eu não me lembro muito bem do momento em si. Só de saber do interesse da Inter eu já fiquei muito feliz. Todo moleque quando começa a jogar bola sonha com um grande clube e disputar campeonatos importantes. Quando eu soube, foi felicidade total, era um sonho que estava se realizando.

Você foi para a Europa muito novo. Teve algum receio?

Eu já tinha jogado pelo profissional do Vasco, o que me ajudou bastante, eu estava confiante. Quando cheguei, sabia que teria dificuldades, mas como são muitos brasileiros por aqui e eu moro com a minha família, isso ajudou demais.

Você não acha que queimou etapas?

No Vasco, joguei meio ano como titular e estava no grupo campeão da Série B. Mas eu não sei se ficou faltando alguma coisa.

Você já jogou como meia e como segundo atacante. Como prefere atuar?

Gosto das duas posições. Jogando no ataque eu tenho mais liberdade para rodar no campo e no meio foi sempre o setor no qual. eu joguei. Hoje em dia, onde tiver uma vaguinha estará ótimo.

Você chegou a achar que antes de jogar pela Inter seria emprestado?

Não achava isso, porque ninguém falou nada comigo. Mas eu sabia que seria difícil, porque na temporada passada o time foi campeão de tudo. Eu cheguei, fui treinando e agora espero crescer mais e mais.

Qual a dificuldade no futebol italiano?

Contra a Inter todo mundo joga lá atrás. Qando passa por um marcador já tem mais dois. A força é a mesma que no Brasil e a parte tática é difícil de se acostumar. Mas a maior dificuldade é o frio.

Você está fazendo alguma coisa para ganhar massa muscular?

Não estou fazendo nada, porque a gente está jogando quarta e fim de semana e não sobra tempo. Tenho de melhorar muito, mas aos poucos.

Com Leonardo está mais à vontade?

Está mais fácil. Quando eu tenho alguma dificuldade ele explica no meu idioma. Está todo mundo gostando dele e o clima está gostoso.

Coutinho ao lado de jogadores consagrados como Cambiasso e Eto`o (Foto: Reuters)

 

 

Qual sua opnião sobre o Eto’o?

É um dos melhores do mundo. O cara é bom mesmo, faz muitos gols, assistências, tudo, é completo, cara. Na posição dele, tem ele, o Ibrahimovic e o Rooney.

Mas ele é melhor que o Obina?

[Risos] Ô, rapaz… Não sei, nunca joguei ao lado do Obina. Quando eu via Obina, era um bom jogador, sempre fazia gols também [Mais risos].

Quem foi o marcador mais chato que você já enfrentou?

O Willians [do Flamengo].

E qual o jogo inesquecível?

Contra o Botafogo , na Taça Guanabara de 2010. O Vasco ganhou de 6 a 0 e eu fiz dois.

Deixando o futebol de lado, o que gosta de fazer fora dos campos?

O que eu mais gosto de fazer é ir ao cinema. Sempre vou com minha namorada, com meus pais. De vez em quando vamos a restaurantes, aqui tem churrascarias brasileiras muito boas

(Matéria concedida para a edição de Março da Revista FUT! número #28)


O futebol na terra de Khadafi

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O treinador brasileiro possui títulos em quase todos os países que trabalhou (Foto: Reuters)

Por Lucas Cappatto

Perto de completar 30 anos de profissão, o técnico brasileiro Marcos Paquetá se depara com o maior desafio de sua carreira: levar a seleção da Líbia à Copa Africana de Nações e à Copa do Mundo de 2014, além de ajudar no desenvolvimento do futebol no país.

Paquetá chegou à Líbia, em julho de 2010, quando deu o pontapé inicial no longo e árduo trabalho à frente da seleção. Porém, depois de sete meses no país e quatro jogos de invencibilidade, o técnico se viu obrigado a retornar ao Brasil. Não, ele não foi demitido. Por causa da revolta popular contra o ditador Muamar Khadafi, Paquetá e sua comissão técnica tiveram de paralisar o trabalho, por medida de segurança.

Campeonato Nacional interrompido, jogadores sem experiência internacional, por conta do embargo de 1999, estrutura ruim… Até a cultura local já causou problemas para o brasileiro, que terá quatro anos (tempo de contrato com a Federação) para solucioná-los.

Como é a estrutura do futebol na Líbia?

Não é muito boa. O doutor Mohamed (filho de Kadafi), que é a pessoa do governo ligada à Federação, já está erguendo estádios e ajudando os clubes na construção de campos de treinamentos.

Qual foi seu primeiro passo para ajudar o futebol do país?

Nós montamos um centro de recuperação de atletas. Levamos um fisioterapeuta, buscamos um médico na Tunísia e preparadores físicos. Eles ficam nesse cendurante a parte da manhã, tratando dos jogadores machucados e fazendo uma recuperação física dos atletas.

Quando você chegou, como estava o Campeonato Nacional?

Quando cheguei lá, a competição estava parada por conta de uma confusão entre dois grandes clubes do país. Um deles (Al – Ahli Trípoli, de maior torcida da Líbia) tinha abandonado a competição. Eu visitei o clube, conversei com presidente e jogadores e expliquei a eles a importância da seleção. Nós conseguimos uma conciliação, e a equipe voltou a disputar os jogos.

Quais são suas metas para ajudar no desenvolvimento do futebol?

O projeto na Líbia é muito grande, nós estamos cuidando da estrutura dos clubes, buscando jogadores fora do país com passaporte líbio, que, consequententemente, têm mais experiência que os que estão na Líbia. Devido ao embargo de 1999, os jogadores que moram na Líbia ficaram muito tempo sem disputar competições internacionais. Com os jovens, já consegui vários torneios, inclusive aqui na América do Sul, para eles disputarem e ganharem experiência. É um país que até hoje não teve nenhum destaque no futebol, precisa melhorar muito na estrutura, mas tem excelentes jogadores, com qualidade e habilidade. Eu tenho certeza de que com um pouco mais de estrutura e organização nós vamos conseguir bons resultados.

Por ser muito grande, como você pretende desenvolver esse projeto?

O processo está dividido em três etapas. Curto prazo: que são as competições como a Copa das Nações Africanas; médio prazo: que é a busca de jogadores líbios que jogam fora do continente; e longo prazo: que cuida da formação dos jovens.

Como é a relação do governo com seu trabalho?

A relação do governo conosco é bem à vontade. Nós fazemos reuniões antes das competições, enviamos relatórios pós jogos e colocamos as necessidades. Escutamos também as opiniões deles, mas não tem interferência nenhuma na escalação. Eles cobram muito empenho dos jogadores.

O que mais agradou no futebol da Líbia?

Tem um espaço lá, do Comitê Olímpico, um centro moderno, como eu nunca vi no mundo. Nesse centro existem aparelhos que fazem uma avaliação completa dos jogadores, tanto médica quanto física. Eles criaram uma câmara fechada que simula treinamento em altitude. Já fizeram testes com corredores e eles diminuíram o tempo em até dois minutos. Estamos estudando a possibilidade de usarmos em alguns jogadores também. Além disso, a qualidade dos jogadores também me impressionou.

Uma possível troca no governo preocupa você?

Se acontecer alguma coisa, e essas pessoas que estão no governo saírem, vai depender muito dos que assumirem. O trabalho que tem sido feito está sendo muito elogiado pela crítica e pelo povo também.

Paquetá é referência no futebol do Oriente Médio (Foto: Reuters)

A cultura do país fez você e o time passarem por um sufoco, não é?

Tivemos um jogo complicadíssimo (contra Moçambique), no meio do ramadã, às 15 horas. Nós tivemos de fazer um estudo muito grande para saber como poderíamos agir para amenizar a situação. Por que é impossível parar de comer às 4 da manhã e jogar às 3 horas da tarde, em grama sintética, com 30 graus. E ainda por cima chegamos ao estádio e descobrimos que do vestiário para o campo tínhamos que subir cem degraus. Após esse jogo, os jogadores voltaram ao país como heróis. (A partida terminou empatada em 0 a 0).

Dá para chegar à Copa de 2014?

Sim, sem dúvida dá para chegar. Primeiro porque, na África, a Líbia é um país rico. Estamos tendo apoio não só do governo como da Federação. Em tudo o que pedimos nós somos atendidos prontamente. Levamos muito material dos Estados Unidos e do Brasil para a Líbia, estamos começando a introduzir também um trabalho psicológico e aos poucos eles estão equilibrando o lado emocional. Esses aspectos são fundamentais para nós conseguirmos obter os bons resultados.

Como é a comunicação com os atletas?

Nós temos um tradutor e eu também falo várias palavras. Neste ano, eu tomei vergonha e comecei a fazer um curso de língua árabe. Mas infelizmente surgiram esses conflitos no país. Lá nós misturamos o inglês com  o árabe e fica fácil.

Qual a vantagem de trabalhar na Líbia?

A vantagem de trabalhar lá é o tempo que eles dão para desenvolver o trabalho.

Tirando os recentes conflitos, é um país agradável?

O país tem se modernizado bastante. O governo tem reformado a orla, está toda urbanizada. É um país com uma cultura muito grande, é um museu a céu aberto.

Espera um dia voltar a trabalhar no Brasil?

Sim, sem dúvida nenhuma. Minha vontade é muito grande, mas para que eu volte tenho que escolher muito bem. Aqui as pessoas julgam muito pelo placar e não pelo resultado do trabalho. Falta estabilidade.

Mano Menezes comanda time de várzea em São Paulo

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Por Redação FUT!

Já imaginou o técnico da seleção brasileira comandando um time de várzea? Pois foi justamente essa a ideia da agência de publicidade Fischer+Fala ao assinar a nova campanha da Kaiser, que fará benfeitorias e reformará 42 campos de várzea em vários Estados no Brasil. O garoto propaganda da marca chega sorrateiramente, comanda a equipe e ainda coloca o ex-jogador Serginho Chulapa em campo. Vale a pena conferir.

Entrevista com o surfista Alejo Muniz

terça-feira, 29 de março de 2011

Por Thaís Meinicke

Alejo é a aposta brasileira no Circuito Mundial de Surfe (Crédito: Daniel Morigo)

 Na edição de número 29 da revista FUT! você confere um bate-papo exclusivo com o surfista brasileiro Alejo Muniz, que disputa o WCT, o circuito mundial de surfe. E conforme prometido, disponibilizamos em nosso site o trecho da entrevista em que o atleta fala de outro esporte, o futebol.

Além do surfe, também gosta de futebol? Para qual time torce?

Gosto sim. Sou fanático pelo Santos. É meu time do coração e sempre que estou no Guarujá vou para Santos na Vila Belmiro. Inclusive, recebi um presente do Neymar no meu aniversário (22/02), um craque que também é patrocinado pela Nike. Quando embarcava para Austrália, fui surpreendido no aeroporto de Cumbica com uma camisa da Seleção Brasileira autografada por ele, me desejando parabéns e boa sorte no WT.

Você é brasileiro e filho de argentinos. Como fica essa rivalidade dentro de casa? Quando tem jogo da seleção, torce para o Brasil ou para a Argentina?

Sim, vim para o Brasil com um ano de idade. Tirando meu pai, toda a minha família torce para o Brasil e eu também. Quando tem jogo entre Brasil e Argentina, meu pai tira todo mundo de dentro de casa para assistir ao jogo (risos)!!!

O surfista ganhou um autógrafo do craque Neymar no aeroporto (Foto: Arquivo Pessoal)

Quem é melhor, Pelé ou Maradona?

Difícil responder essa pergunta, porque nunca vi eles jogarem, mas assisti vídeos do Maradona e fiquei impressionado com a garra dele, gosto de atletas com muita garra e espírito de vencer.


Se fosse jogador, em que posição gostaria de jogar? Por quê?

Eu acho que gostaria de ser atacante. Gosto de ser a pessoa de chegada, de finalização. Gostaria de fazer gols!!!


O melhor do mundo atualmente no futebol é um argentino, o Messi. E no surfe, eles têm alguma chance ou os brasileiros são mesmo melhores?

No surfe é um pouco diferente. O Brasil está na frente da Argentina, lá você mal consegue surfar no inverno, por ser muito frio. Já no Brasil é surfe o ano inteiro e não param de sair talentos. É uma fábrica!!! Mas o esporte está crescendo na Argentina. Meu pai está fazendo um intercâmbio, que começou este ano, entre Brasil e Argentina e foi um sucesso! Acho que com iniciativas como essa, logo mais também teremos rivalidade no surfe (risos), mas de uma forma positiva, com os dois crescendo juntos nesse universo.

Bate-bola com Dedé, zagueiro do Vasco

terça-feira, 22 de março de 2011

 Por Marcelo Monteiro

Dedé está no Twitter: @Dedevital (Foto: Marcelo Sadio)

  Qual a importância do Twitter para um atleta de um grande clube, com uma grande torcida? Em que situações deve ser utilizado?

 A relação com os torcedores fica mais direta. Escutamos reclamações, elogios e, dentro do possível, procuro responder a todos. Utilizo bastante, mas a maioria das vezes com coisas do cotidiano, que o torcedor gosta de saber. Mas ele será mais útil em situações importantes (como divulgação do site pessoal ou explicar um mal-entendido), mas isso ainda não ocorreu.

 

Há limites para a comunicação direta com os torcedores? Que cuidados os jogadores devem ter para não se expor (e nem ao clube) demasiadamente?

O clube deve ser preservado. O jogador tem que falar mais de si próprio, mas também sem se expor demais. 


 O que você acha de algumas recentes confusões envolvendo jogadores via Twitter? Você acha que, às vezes, os jogadores exageram em suas manifestações?

 Reclamar sobre o clube é meio complicado. O Caio é muito meu amigo, inclusive, mas vi que ele foi repreendido. Sobre a briga, acho meio baixaria, mas o Twitter é uma forma de o jogador falar o que pensa diretamente com o torcedor. Ficaria feio também se ambos tivessem dado uma entrevista falando mal do outro, por exemplo. O Twitter foi uma forma que cada um encontrou de se defender.

Para Sempre Fenômeno

sexta-feira, 4 de março de 2011
 

Ronaldo comemora após gol contra a Bolívia (Foto: EFE)

Por Lucas Cappatto  

Ronaldo Luís Nazário de Lima  

Nascimento: 22 de Setembro de 1976   

Naturalidade: Rio de Janeiro   

Clubes:  1993/94 Cruzeiro ; 1994/96 PSV (HOL) ; 1996/97 Barcelona (ESP) ; 1997/02 Internazionale de Milão (ITA) ; 2002/07 Real Madrid ; 2007/08 Milan ; 2009/11Corinthians   

Seleção brasileira: 112 jogos   

Títulos: Copa do Brasil (1993), Campeonato Mineiro (1994), Copa do Mundo (1994 e 2002), Copa da Holanda (1996), Copa América (1997 e 1999), Copa das Confederações (1997) Supercopa da Espanha (1997 e 2007), Copa do Rei (1997), Recopa Europeia (1997), Copa da UEFA (1998), Mundial de Clubes (2002), Campeonato Espanhol (2003 e 2007), Campeonato Paulista (2009) e Copa do Brasil (2009)   

Prêmios:  Melhor do mundo pela FIFA (1996,1997 e 2002), Chuteira de ouro (1997), Bola de ouro pela Revista France Football (1997 e 2002), Melhor jogador da Copa do Mundo (1998) , Melhor jogador da final do Mundial de clubes (2002), Melhor jogador do Campeonato Paulista (2009)  

Lesões  

1ª Lesão  

A primeira grave lesão no joelho de Ronaldo, aconteceu em Novembro de 1999. O fenômeno atuava pela Inter de Milão, e em uma partida contra o Lecce, pelo Campeonato Italiano, rompeu os ligamentos do joelho direito. O atacante foi submetido a uma cirurgia e  ficou afastado dos gramados por cinco meses.  

2ª Lesão  

Após cinco meses de muita fisioterapia, Ronaldo retornou aos campos no dia 12 de Abril de 2000. O momento que era para ser de muita alegria se tornou dramático. Sete minutos após estar no gramado, contra a Lazio, pela final da Copa da Itália, o fenômeno machuca gravemente o mesmo joelho. Depois de mais uma intervenção cirúrgica, Ronaldo ficou por quinze meses em recuperação.  

  

3ª Lesão  

O drama das lesões se repetiria quase oito anos depois. Antes de voltar à Itália para vestir a camisa do Milan, o fenômeno conquistou a Copa de 2002 e passou pelo galático Real Madrid. No seu retorno ao futebol italiano, além de várias problemas musculares, Ronaldo teve mais uma grave lesão. Na partida contra o Livorno, pelo Campeonato Italiano, no dia 13 de Fevereiro de 2008 , logo no primeiro lance em que participou , machucou seriamente o joelho esquerdo. Esta foi a vigésima e última atuação de Ronado com a camisa do Milan. O retorno aos gramados só aconteceria no Brasil mais de um ano depois, já pelo Corinthians, contra o Itumbiara, pela Copa do Brasil.  

 

Clique aqui para saber mais de Ronaldo nos clubes em que passou.

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Copa do Mundo de 2002 (Coreia do Sul/Japão)

sexta-feira, 4 de março de 2011

Por Lucas Cappatto

 

Ronaldo comemora seu segundo título como campeão mundial (Foto: EFE)

Copa do Mundo de 2002

A caminhada até a Copa do Mundo não foi fácil para Ronaldo nem para a Seleção brasileira. Depois da convulsão no dia da final contra a França, o atacante da Inter de Milão ainda teve mais duas graves lesões no joelho, que o deixaram longe dos gramados por um ano e oito meses. Para muitos o dentuço não chegaria na Copa da Coreia do Sul e do Japão. Já a equipe comandada por Luiz Felipe Scolari, correu sérios riscos de ficar fora da do Mundial e sofreu até a última partida das Eliminatórias para garantir sua vaga.

Depois da classificação assegurada, uma grande dúvida pairava sobre Brasil. Quem levar para a Copa, Ronaldo ou Romário ? Enquanto o país inteiro pedia a convocação do baixinho, Felipão insistia e acima disso acreditava no potencial do fenômeno. A lista dos convocados foi divulgada e nela estava o nome de Ronaldo. Decisão que Felipão não se arrependeria mais tarde. Nos sete jogos disputados na competição o atacante marcou gol em todos eles, incluindo dois na grande final contra a Alemanha. No total o centroavante brasileiro colocou a bola no fundo das redes adversárias oito vezes.

Junto com Ronaldo e também grande protagonista da conquista do penta, Rivaldo comenta a felicidade de ter jogado e conquistado a Copa com o fenômeno.

“Para mim foi um privilégio ter jogado ao lado dele. Ronaldo foi um dos melhores jogadores que pude jogar e ser campeão em 2002.
Para jogar com o Ronaldo não precisa de conversa, nem algo parecido. É muito fácil jogar ao lado de um jogador tão inteligente quanto ele. Com o entrosamento que tínhamos quando eu pegava na bola, ele já sabia o que iria acontecer. O grupo todo do Brasil era assim. Aquela Copa do Mundo foi especial para nós. Foi um dos momentos mais marcantes da minha vida e com certeza da do Ronaldo também. Ficará guardado para sempre na minha memória. O Ronaldo foi com certeza um dos melhores com quem já joguei.

Fiquei sabendo que participei diretamente de sete dos 15 gols do Ronaldo em Copas do Mundo, o que me deixou muito feliz. É uma honra poder ter ajudado ele e o Brasil a conquistar marcas e títulos tão importantes” lembra Rivaldo

 

Copa do Mundo de 1998 (França)

sexta-feira, 4 de março de 2011

França 3 x 0 Brasil – Copa do Mundo de 1998 – Saint-Denis 12/07/1998

Festa da França na Copa do Mundo de 1998. Brasil é vice. (Foto: Arquivo)

Convulsão no dia do jogo

Ronaldo chegou à Copa da França como o principal jogador brasileiro. Atuando pela Internazionale de Milão, o fenômeno tinha sido eleito pela FIFA o melhor jogador do mundo nas  temporadas 97 e 98. Já a Seleção brasileira, era a atual campeã mundial e além de Ronaldo, contava com Bebeto, Rivaldo, Roberto Carlos, entre tantos outros craques. Nos três jogos da primeira fase, o Brasil venceu Escócia e Marrocos, e foi derrotado pela Noruega. Ronaldo a principal esperança de gols , fez apenas um. Na segunda fase, até chegar a fatídica final contra os donos da casa, o Brasil deixou pelo caminho Chile, Dinamarca e Holanda. E o camisa 9, colocou a bola nas redes por mais três vezes. ‘“No dia do penta”, o fenômeno sofreu uma convulsão em seu quarto. Fato que deixou todos os companheiros assustados e apáticos. O técnico da seleção, Zagallo, lembra e conta com detalhes o dia em que o craque brasileiro se apagou e o francês, Zidade, brilhou.

 “No dia da final, eu estava no meu quarto vendo o VT de um jogo da França. O Ronaldo teve a convulsão no quarto dele, logo após o almoço. Eu só fiquei sabendo do ocorrido pouco antes da preleção, às 17:30, e ele já tinha ido para a clínica. Diante dessa situação, tomei a atitude de escalar o Edmundo.

Para levantar o moral do time, falei para os jogadores que na Copa de 62, o Brasil perdeu Pelé, o melhor jogador do mundo e mesmo assim fomos campeões mundiais com o Amarildo no lugar dele.

Fomos para o estádio da final, no ônibus onde era sempre muito animado não havia batuque, o clima parecia o de um enterro. Chegamos ao local do jogo e dez minutos antes da partida começar, o Ronaldo entrou no vestiário vindo da clínica, pedindo para jogar. Diante do silêncio de todos, chamamos o doutor Ricardo Teixeira para decidirmos o que fazer. O Ronaldo pedia pelo amor de Deus para atuar e afirmava que estava se sentindo bem. Então tomei a decisão de escalá-lo e hoje faria a mesma coisa.

Ele ter participado da final contra a França não afetou em nada o time, o que realmente abateu a todos foi o fato que aconteceu no dia do jogo. Eu pensei que a entrada dele fosse dar uma euforia no time, só que isso não aconteceu ”, relembra o Velho Lobo.

Copa do Mundo de 1994 (EUA)

sexta-feira, 4 de março de 2011

Por Lucas  Cappatto

Romário comemora juntos dos companheiros de seleção, entre eles Ronaldo (Foto: AFP)

Primeira do Copa do Mundo

 No ano seguinte após se tornar jogador profissional, Ronaldo iniciava sua trajetória na Seleção brasileira. Convocado pelo técnico Carlos Alberto Parreira, o fenômeno estreou com a amarelinha, no dia 23 de março de 1994, logo contra os eternos rivais argentinos, no Estádio do Arruda, em Recife. Depois de o clássico contra a Argentina, o Brasil enfrentou a Islândia, em Florianópolis, último jogo antes de embarcar para a Copa do Mundo, e Ronaldo foi novamente convocado. Após bela atuação no amistoso, o atacante foi confirmou sua ida para o Mundial dos Estados Unidos.

Na busca pelo tetra, a dupla de ataque titular do Brasil era formada por Romário e Bebeto, no banco de reservas Parreira tinha as opções de Viola e Ronaldo. Ainda muito jovem, o atacante do Cruzeiro acabou não sendo utilizado em nenhum dos sete jogos da Copa.

Companheiro de banco e quarto, o atacante Viola (único jogador que participou da conquista do tetra que ainda está em atividade) lembra a única derrota que sofreu para o fenômeno na carreira. 

“Eu e o Ronaldo éramos os mais jovens do grupo. Para nós dois era muita felicidade estar no meio de tanta cobra criada, como Romário, Bebeto, Tafarel. Eu e ele carimbamos o passaporte para a Copa de 94, no último amistoso antes do Mundial. Foi um jogo contra um monte de loirinhos (Islândia), em Florianópolis, e a Seleção brasileira venceu por 3 a 0. Nós dois jogamos pra caramba, fizemos belas jogadas e gols. Alí garantimos nossas vagas na Copa.

Durante a competição, nós fomos companheiros de quarto e foi aí que sofri minha única derrota para o fenômeno. O Ronaldo tinha um problema no nariz e por causa disso roncava muito, era um barulho infernal. Eu tinha que deixar a minha cama, pegar meu colchão e ir dormir no banheiro, mesmo assim o barulho incomodava. Só de estar na Copa esse sofrimento valeu a pena”, lembra Viola.