Por Lucas Cappatto
A hora do adeus
Durante os dezoito anos de carreira, Ronaldo foi do céu ao inferno constantemente. Os 471 gols em 630 jogos, dribles geniais e os vários títulos coletivos e individuais, o transformaram em fenômeno. Os números de gols e títulos aumentavam, e as lesões e quilos também. Em sua última temporada pelo Real Madrid, a briga com a balança começou e durou até a aposentadoria no Corinthians. Pelo clube paulista, o atacante em 2009 estava vivendo uma lua de mel com o bando de loucos, conquistou dois títulos, o que lhe rendeu status de ídolo. No ano seguinte, o Timão completava seu centenário e a responsabilidade do fenômeno aumentou bastante. Apesar de toda badalação, o time do Parque São Jorge não conquistou nem uma taça e Ronaldo sofreu com seguidas lesões. O ano de 2011 começou, e o grande objetivo no Corinthians era a Libertadores (como sempre), pela frente ainda na Pré-Libertadores, o Timão enfrentou o desconhecido Tolima (COL). Após um empate no Pacaembu e uma derrota em território colombiano, acabou precocemente o sonho do título e também a paciência da torcida.
Na cidade de Ibagué, na Colômbia, no Estádio Manuel Toto, dia 2 de Fevereiro, Ronaldo fez sua última partida como jogador profissional. Doze dias depois da traumática eliminação, o eterno camisa 9 em uma entrevista coletiva, no Centro de Treinamento Joaquim Grava anunciava seu adeus do futebol. O companheiro de equipe e um dos melhores amigos, Paulo André, revela fatos que marcaram a trajetória do maior artilheiro em copas no Corinthians.
“Fiquei sabendo que o Ronaldo iria anunciar a aposentadoria pela televisão. Liguei algumas vezes mas ele não estava atendendo o celular. Momentos antes do anúncio o encontrei no CT e conversamos rapidamente, ele estava muito emocionado.
O projeto dele era conquistar a Libertadores esse ano e se aposentar no final da temporada, com a saída do Corinthians da competição esse processo acabou sendo antecipado.
Dois momentos do Ronaldo me marcaram aqui no Corinthians. O primeiro foi quando ele ficou um tempo machucado, no Brasileirão do ano passado, e quando retornou ao time, comentou que iria nos carregar nas costas mas infelizmente não conquistamos o título. Outro fato que me marcou, foi que após o jogo contra o Cruzeiro no Pacaembu, também no ano passado, que vencemos por 1 a 0 com um gol do Ronaldo de pênalti, ele afirmou que foi a primeira vez na carreira que sentiu a pressão. Ele falou que pegou a bola e pensou e agora?”














