publicidade


Arquivo da Categoria ‘Jogo inesquecível’

1977: ‘O milagre de São Jorge’

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Thobias é cantor e intérprete de samba, além de ex-presidente da Escola de Samba Vai-Vai. Além da da paixão pelo carnaval, ele é torcedor fanático do Corinthians

Por Thobias da Vai-Vai

Bom , então vamos recordar…

O ano era o de 1977 e eu fui sozinho do Jardim Peri , onde morava e fui criado, na Zona Norte de São Paulo, até o Morumbi. Era a primeira vez que eu ia a um estádio. Tinha certeza de que seria uma noite inesquecível! E foi.

De ônibus, eram duas conduções , uma até a Estação da Luz e outra da Praça da Bandeira até o Morumbi. Só havia corintiano na rua e todo mundo confiante.

Levava comigo, além da fé ,que tudo ia dar certo , um rádio de pilha no qual eu ouvi depois do jogo o show de rádio, de que sempre fui fã. Bons tempos, em que eu me divertia com Estevam Sangirardi. Naquela noite, tudo conspirava a favor e a criatividade daqueles profissionais me encantava.

Lembro-me até hoje que São Jorge desceu no barraco do Joca . Naquela noite, a Nega, que só gemia quando Joca pedia uma ampola (garrafa de cerveja), acabou falando. Segundo o Joca, foi milagre de São Jorge. Foi uma festa no barraco do Joca, com muitos agradecimentos a São jorge e ao Pai Jaú.

Até hoje estão bem vivo na minha lembrança aqueles momentos de tensão e alegria. Eu tinha só 19 anos e um mês, pois nasci em setembro . Era 13 de outubro de 1977.

Na terceira partida, após duas tentativas Basílio balançou a rede da Ponte Preta (Foto: Arquivo)

Queijo ralado na feijoada

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

  Por Marco Bianchi

Naquele dia 5 de julho de 1982, aos míseros 10 anos de idade, assisti ao jogo de futebol que mais marcou minha nebulosa porém saudosa memória esportiva.

 Trato da chamada “Tragédia do Sarriá”, na Copa da Espanha, e da fatídica derrota por 3 a 2 para a seleção italiana do então técnico Enzo Berzot! (Quem não se lembra?!…)

 Presenciei a lamentável ocorrência no apartamento de meus pais, com direito a irmãos, empregada e papagaio. A tevê de apenas 45 quilos com controle remoto era o que havia de mais moderno à época. A transmissão das partidas ficava a cargo do genial Osmar Santos, ele que, nem de longe, lembrava os atuais narradores, modelos e atrizes do chamado “jornalismo esportivo”.

 O primeiro gol, do pérfido e malvado carcamano de nome Paolo Rossi, não chegou a ser um balde de água fria. Ninguém duvidava do poder de reação do grupo sob a batuta do bom e velho Telê Santana. Coube ao pensador Sócrates retribuir a audácia adversária com um presente de grego escultural, após memorável passe de Zico.

 Mas o ignóbil oriundo da Velha Bota, exagerado como todo italiano que se preze, não se conteve com os antepastos. Logo no início do segundo tempo, o maledeto prendeu o guardanapo no colarinho e pediu repeteco, vencendo pela segunda vez o generoso goleiro Valdir Perez. Mas o “Rei de Roma” Falcão livrou nossa cara com um gol que por pouco não lhe rendeu um AVC (acidente vascular cerebral) nas veias que correm das têmporas às extremidades das patas superiores do infeliz.

 Quando finalmente os milhões em ação voltavam a respirar, ainda que com a ajuda de aparelhos, o golpe de misericórdia: infiltrado na pequena área de nossa defesa, tal qual uma ratazana do brejo enrustida em um buraco de tatu, o desagradável malfeitor Paolo Rossi jogou queijo ralado em nossa feijoada e deu números finais à partida.

E assim terminou esta verdadeira tragicomédia ítalo-brasileira, em que o drama coube a nós e os risos aos nossos eternos fãs pizzaiolos.

 Definitivamente, foi um marco para o Brasil. E um Bianchi para a Itália!

Confira alguns trechos da partida com a narração do craque Luciano do Valle:

 

 

Quem é?

Marco Bianchi é um cara engraçado pra caramba. Criou programas e personagens na rádio para a 89, de São Paulo e na MTV, onde trabalhava até outro dia, no RockGol.